Estudante
1. Introdução
“A Guerra do Fogo” (no original, “La Guerre Du Feu”) é um filme francocanadense de
1981 que tem como trama o domínio do fogo pelos primeiros humanos, tal como as batalhas travadas pelo controle do mesmo. Fiel às teorias atuais acerca da origem do homem, o filme mostra as relações entre os Homo sapiens sapiens e os Homo sapiens neanderthalensis [1], além da estrutura social de ambas as raças, sua organização do trabalho e as dificuldades com as quais se deparavam os primeiros hominídeos. Para melhor acurácia histórica, “A Guerra do Fogo” contou com a supervisão do antropólogo Desmond Morris, conhecido por seus trabalhos na área de sociobiologia humana. Digna de nota é a linguagem usada no filme, criada por Anthony Burgess, famoso lingüista e escritor inglês (autor do célebre “Laranja Mecânica”), elaborada de forma a retratar a rudimentaridade das primeiras formas de comunicação dos hominídeos. Em suas palavras, a língua falada pelos personagens busca ser “meramente uma forma especializada de gestos corporais” [2]. O cuidado com os detalhes e a aproximação histórica são os fatores que marcam “A
Guerra do Fogo”, e, consequentemente, o que torna possível uma articulação do mesmo com os autores Alexander Luria, Alexei Leontiev e Lev Vygotsky.
2. A formação do homem
Leontiev, em “O Homem e a Cultura”, traça um longo processo pelo qual o animal passou para que se tornasse homem. Segundo ele, esse processo se dividiu em três estádios: o primeiro é o da preparação biológica do homemaser, isto é, o aparecimento dos australopitecos, que já apresentavam aspectos tais como a vida gregária e o uso de instrumentos não trabalhados, ainda que isso se devesse apenas a seus aspectos biológicos; o