Economia e meio ambiente
O meio ambiente, o entorno do homem (ar, água e solos), tem, desde o início da história, várias características úteis para a sociedade: em primeiro lugar, é a base física para as atividades humanas, quer como substrato, quer como fornecedor de insumos naturais para a produção (solos férteis, florestas, minas, etc.); em segundo lugar, proporciona serviços diretos ao homem (as chamadas amenidades ambientais: belas paisagens, por exemplo), bem como constitui a fossa onde os resíduos de suas atividades são dispersos, diluídos e reciclados.
Estes diversos componentes do meio ambiente ingressam no campo da economia em pontos diversos de sua história, à medida que se verifica sua escassez relativa. Os recursos naturais, o primeiro dos elementos apontados, tem longa maturação; nela se destacam os estudos pioneiros dos economistas clássicos sobre a questão da terra e da renda da terra (sendo David Ricardo o mais proeminente) e, posteriormente, de Gray, no inicio do século, e de Hotelling, nos anos 30. Na década de 40, todo este trabalho atinge a maturidade, através do estabelecimento de um campo específico – a Economia Agrícola – sistematizado pioneiramente por Ely e Wehrwein que, ataRecursos Naturais(ver Clark, 1976, e Neher, 1990).
Já a questão do meio ambiente como supridor de amenidades e fossa de resíduos, o segundo elemento apontado, ingressa na história da economia bem mais tarde, pelo simples motivo de que sua escassez relativa se fez sentir só mais recentemente. O trabalho pioneiro é o de W. Kapp (19510. Ele merece destaque não só por seu pioneirismo, mas também porque prenuncia a chamada solução de “custo-efetividade” – hoje em voga – no trato concreto das questões da poluição. Seguem-se em importância, o artigo clássico de Boulding sobre a Espaçonave Terra (1966) e os estudos de antropólogos, cientistas políticos e economistas canadenses relativos à modificação de direitos de propriedade como algo essencial