A doença de Chagas no trato digestivo é caracterizada por lesão dos plexos nervosos intramurais em virtude do parasitismo das camadas musculares vizinhas, tendo repercussões na função motora principalmente do esôfago e do cólon, fazendo com que a musculatura lisa desses órgãos responda com contrações desordenadas e hiperreativas, ou hiporreativas, na dependência do estímulo que é feito ao órgão. A desnervação resultante da lesão neural tem intensidade variável, irregular, imprevisível e acomete diferentes segmentos desses órgãos. Após a fase aguda da doença, os pacientes passam por longo período assintomático (10 a 30 anos), sem evidência de complicação, denominados de forma indeterminada da doença de Chagas crônica (FCI) ou forma latente. Esta forma é caracterizada pela positividade de exames sorológicos e/ou parasitológicos para a doença de Chagas, ausência de sintomas e/ou sinais da doença e resultados normais aos exames eletrocardiográfico, radiológico do coração, esôfago e cólon, conforme estabelecido pela I Reunião de Pesquisa Aplicada em doença de Chagas de Araxá em 1984. A complicação característica do comprometimento esofágico pela doença de Chagas crônica, o megaesôfago, assim como o aparecimento de sintomas típicos como disfagia, regurgitação e emagrecimento podem ocorrer após vários anos do diagnóstico sorológico e/ou do estabelecimento da lesão neuromotora. Assim, entre a situação de esôfago normal e de megaesôfago, com inervação quase totalmente destruída, um número variado de situações intermediárias existe e, portanto, outros sintomas relacionados à lesão esofágica podem se manifestar, muitos deles presentes em diversas doenças, o que dificulta a interpretação como decorrente de complicação chagásica. O diagnóstico da esofagopatia chagásica é realizado principalmente pelo exame radiológico contrastado do esôfago. Porém, outros exames como a cintilografia de trânsito esofágico e a manometria do esôfago podem ser utilizados para avaliar