Conceito de Virtude
Muitos de nós temos só uma idéia do que é sagrado, mas é muito diferente conviver com uma coisa atuante na sociedade. É convicção fundamental de todas as religiões e da religião em si que também a segunda possibilidade é viável, que não só a voz interior, a consciência religiosa, o discreto sussurro do espírito no coração, o palpite e o anseio prestem testemunho a seu respeito, mas que seja possível encontrá-los em eventos, fatos, pessoas, em atos de auto-revelação, ou seja, que além da revelação interior no espírito também haja revelações exterior do divino.
Essas revelações, atuantes, essas manifestações do sagrado em perceptível auto-revelação a linguagem da religião chama de sinais.
Essa interpretação como manifestações reais do próprio sagrado foi resultado de se confundir a categoria do sagrado com algo que lhe correspondia apenas exteriormente, mas ainda não era uma anamnese genuína, um verdadeiro reconhecimento do sagrado em si em sua manifestação.
A eventual capacidade de conhecer e reconhecer verdadeiramente o sagrado em sua manifestação é chamado de divinação. A teoria supranaturalista expõe esta questão bastante simples. Para tais a divinação, isto é, reconhecer algo como sinal, consiste em deparar-se com um processo que não pode ser explicado de forma natural. No linguajar edificante etambemno dogmático a faculdade de divinação leva o belo nome de testemunho interior do espírito santo, que no caso se limita ao conhecimento da escritura como sendo sagrada. Para quem concebe e julga a capacidade para a divinação mediante a própria divinação, isto é segundo idéias religiosas da própria verdade eterna.
Trata-se, porém, de uma divinação que não compreende o numinoso como profeta o faz, tampouco de uma experiência tão elevada como a de Jô, na qual o irracional e misterioso são vivenciados e exaltados ao mesmo tempo como mais profundo valor e em seu próprio direito sagrado. Com efeito, tal divinação movimenta-se apenas no