A atividade de interpretação e análise de filmes, embora decisiva no âmbito da pesquisa contemporânea em cinema, aparece como ofício que pode ser realizado por muitos, de muitos modos e através dos mais variados meios. Pode-se considerar análise fílmica qualquer texto que fale de filmes e do que neles está contido, não importando propriamente o seu foco, alcance, profundidade e rigor, num arco que inclui desde o mero comentário, passando-se pela chamada crítica de cinema de tipo jornalístico, incluindo, por fim, até mesmo o estudo acadêmico, em toda sua variedade. Em uma forma como noutra, não se consegue, em geral, identificar uma disciplina metódica que conduza o trabalho analítico e, ao mesmo tempo, seja capaz de prescrever pelo menos o que deveria necessariamente ser notado e examinado, sob que formas ou capacidades e com que cuidados. Cada analista vê o que pode ou quer e, pelo menos em princípio, poderia falar de uma coisa diferente do que falaria um outro analista, segundo a ordem que lhe agrade e com a ênfase que deseje. Na ausência de qualquer disciplina hermenêutica capaz de oferecer garantias demonstrativas suficientes para produzir convicção para além do limiar do subjetivo e do íntimo e capaz, além disso, de oferecer um terreno público e leal para a disputa interpretativa, a análise finda por apoiar-se inteiramente nas qualidades peculiares do analista, ou seja, no seu talento, sua cultura, sua habilidade literária, sorte - ou na falta deles. Parece razoável afirmar, a este ponto, que se não há alguma disposição metódica, assentada em um consenso amplamente compartilhado, é porque o ambiente intelectual e profissional da análise fílmica - composto por jornalistas, acadêmicos e cinéfilo - não parece reconhecer-lhe sentido e necessidade. A crítica de jornalística de cinema assume o seu lugar como orientadora da tomada de decisão para esta espécie de consumo cultural que é a apreciação de filmes de cinema, num sistema industrial que produz e circula