Como a religião convive com a teoria da evolução de darwin
O valor das teorias darwinianas parecia acima de dúvida. Até que, em pleno século 21, os EUA impuseram o ensino do "intelligent design" nas aulas de Biologia. Darwin versus Bíblia: esta oposição ainda vale hoje?
"No princípio, Deus criou os Céus e a Terra": assim reza a primeira frase da Bíblia, no livro do Gênesis. Em sete dias, o Criador fez a água e a terra, a luz e a escuridão, os animais e o homem. Se aceitarmos de forma literal esse relatório da Criação, nosso planeta azul contaria, diga-se de passagem, apenas 6 mil anos de existência.
Em 1859, o biólogo e teólogo inglês Charles Darwin apresentou sua obra Sobre a origem das espécies através da seleção natural, a primeira tentativa científica de explicar a biodiversidade natural e o surgimento do ser humano.
Na época, uma onda de indignação varreu a Inglaterra vitoriana. E hoje? "Darwin contra a Bíblia" – esta oposição ainda vale?
Impasse antigo
Darwin (1809-1882) representa muito mais do que a Teoria da Evolução: ele provocou uma reviravolta em nossa visão de mundo. Não teria sido um Deus a criar, premeditadamente, toda a vida, mas sim a "seleção natural", agindo sem qualquer plano. O que está em questão é nada menos do que a ideia que fazemos de nós. Foram os macacos os nossos antepassados ou nascemos de um monte de barro?
A maioria das pessoas se deparou com essa questão já nos tempos de escola. Hiltrud Stärk-Lemaire, que ensina Religião no Lessing Gymnasium de Colônia, é confrontada com o impasse, toda vez que os alunos vêm da aula de Biologia para a sua – ou vice-versa. "Como pode ser que o Gênesis 1 diga que Deus criou o mundo em sete dias? Ou tratou-se de um processo evolutivo?": duas perguntas que se excluem mutuamente.
"Para certos alunos ajuda encarar a Escritura como texto mitológico. Outros, entretanto, se recusam a fazê-lo. Eles perguntam: 'Como é agora, assim ou assim? Um dos dois tem que estar certo'. Esse questionamento é,