Brasil
por Filipe Cesar da Silva
MISKOLCI, R. O Desejo da Nação: masculinidade e branquitude no Brasil de fins do XIX. 1. Ed. São Paulo: Annablume, 2012. 207p.
Sobre o autor[1]
Em fins do século XIX, discursos científicos, médicos e literários tinham como sustentáculo de dominação a categoria Nação e o temor de que ela sucumbisse à degeneração. Tal receio estava ligado à masculinidade e à branquitude, duas dimensões pelas quais o desejo da nação era configurado na construção da então sonhada República brasileira. Ao articular este instigante debate, o livro “O Desejo da Nação”, obra primorosa do sociólogo e pesquisador Richard Miskolci, nos leva a conhecer, a partir de dois romances finisseculares e um da virada do século (O Ateneu,de 1888,Bom Crioulo,de 1895 eDom Casmurro, de 1900), o processo de formação do cidadão brasileiro atrelado aos valores racistas e sexistas das elites do período. Eis o escopo da pesquisa.
Publicado pela editora Annablume em 2012, o livro é resultado de quase dez anos de estudos e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), integrando-se a coleção Annablume Queer. Miskolci propõe em suas pesquisas, desde seu Doutorado em Sociologia e seus pós-doutoramentos, reflexões acerca dos estudos culturais, direitos humanos, corpo, identidades, subjetivações e o uso da literatura como análise histórica, gerando seu projeto temático "Ciências, Literatura e Nação: a emergência do dispositivo de sexualidade no Brasil 1870-1930", no qual as discussões contribuíram para a composição da edição do livro.
A obra possui 207 páginas divididas em cinco capítulos, no qual o autor, em síntese, coloca em cena a história idealizada de nação a partir de um olhar sobre os subalternos. Ou seja, a história daqueles até então dela excluídos: mulheres, negros, homossexuais e todos aqueles não brancos e marginalizados por vivenciavam uma sexualidade