biologo
O respeitado biólogo marinho e consultor ambiental Richard Steiner conhece bem a espinhosa encruzilhada da política com o desastre ecológico. Veterano do vazamento do navio-tanque Exxon Valdez, em 1989, ele acaba de renunciar à cátedra na Universidade do Alasca sob pressão do establishment do Estado de Sarah Palin. As autoridades o puniram por prever que um desastre como a explosão da plataforma Deepwater Horizon poderia ocorrer nas águas pristinas do Ártico.
Nesta entrevista, o também consultor de governos internacionais defende melhores critérios de segurança para a indústria que ele considera gravemente insegura. E já começa com um alerta ao Brasil.
Se o sr. fosse um biólogo marinho brasileiro, o que tentaria apreender dessa catástrofe (vazamento no Golfo do México)?
Eu diria que os brasileiros devem se preocupar, e muito, com o risco da prospecção offshore. E, se o governo vai levar seus planos adiante, deve fazer isso exigindo a melhor tecnologia disponível para reduzir o risco de uma explosão semelhante à da Deepwater Horizon, tecnologia que aliás está sendo desenvolvida enquanto conversamos. São as two-shear hydraulic rams (travas hidráulicas de lâmina dupla), destinadas a selar o blow pipe (a tubulação de escape). A maioria das travas hoje só tem uma lâmina. Outra sugestão que eu faria aos brasileiros é que seja perfurado, mesmo durante a fase exploratória, um poço de alívio próximo. Em caso de explosão, não seria preciso esperar meses para a solução do caso, como ocorre no golfo. Os brasileiros têm todos os motivos para olhar para o que acontece aqui e se preocupar porque um acidente pode ser catastrófico.
A tecnologia disponível cobre o risco da prospecção de petróleo em profundidade?
Não cobre. Mas, se a prospecção vai ser levada adiante, deve haver a compreensão do risco real de uma