Bacharel
Nessa parte do livro, Kafka, fazendo uso de linguagem parabólica, expressa sua posição a respeito complexidade do acesso ao sistema jurídico. Josef K. - o personagem principal – era um homem simples do campo que almejava “entrar” na lei, mas, quando tentou, foi impedido por um segurança que se encontrava à frente da enorme grade que o levaria para o novo mundo. Confuso e sem compreender muito bem porque lhe fora negada a entrada, ele indagou ao guarda o motivo de não poder entrar e recebeu como resposta que sua admissão não seria permitida de imediato, mas que, talvez, posteriormente, fosse. Porém, depois de ouvir tal resposta, o humilde camponês não mais tentou entrar no mundo legal – sentido jurídico – a espera, quem sabe, do momento em que fosse ser avisado de sua admissão.
Os anos passaram e o camponês envelheceu e pouco antes de falecer, já fatigado e com os ossos enrijecidos pela idade, chamou o guarda e perguntou-o algo que não havia pensando antes. “Dize-me, se todos desejam entrar na lei, como se explica que em tantos anos, ninguém, além de mim, tenha pretendido fazê-lo?". Em resposta, a sentinela disse: "Ninguém senão tu podia entrar aqui pois esta entrada estava destinada apenas para ti. Agora eu me vou e a fecho". Em seguida, o pobre homem do campo vem a falecer. Há duas possíveis interpretações para esse capítulo. Uma delas seria o fato de o humilde senhor do campo ter se conformado com a resposta negativa do segurança e não ter se esforçado mais para “entrar” na lei, uma vez que o guarda, antes de sua morte, ter-lhe dito que aquele portão estava destinado a ele, somente. Como consequência dessa dificuldade de comunicação entre o segurança e o camponês, este pode não ter compreendido que poderia, ou mais, deveria ter tentado,