Asolução da imposição
Algumas coisas acontecem em nossas vidas, ficam marcadas e só depois nos damos conta da importância e de sua influência. Hoje, aos meus 60 anos, posso fazer uma avaliação de uma série de coisas, mas relatarei aqui um fato que foi muito impactante. Em 1904, no auge dos meus 12 anos, lembro-me como hoje o medo e ansiedade da minha mãe, o nervosismo do meu pai e a descrença dos meus dois irmãos mais velhos sobre a uma nova campanha de vacinação obrigatória contra a varíola. Como estávamos no início do século, havia uma dificuldade enorme na divulgação das informações. Inicialmente ficamos sabendo da campanha pelos jornais que anunciavam e aterrorizavam a população ao mesmo tempo, logo a notícia era a principal conversa da cidade. Lembro-me bem, pois o início das manifestações foi no meu aniversário de 12 anos, dia 10 de novembro de 1904. As primeiras manifestações foram comandadas pelos estudantes, onde meu irmão saiu de madrugada, junto com seus amigos do curso de engenharia e se reuniram a outros estudantes para realizarem uma passeata contra a imposição da vacina. Nas conversas com nossos vizinhos, lembro-me deles comentando de coisas que pra mim eram absurdas e algumas ainda não entendidas por mim, como por exemplo, a necessidade de aplicar a vacina com as mulheres nuas, a invasão de pessoas em nossas casas com a polícia forçando a aplicação da vacina, a morte viria instantaneamente ou com meses depois, que as pessoas que recebessem teriam uma morte horrível, entre outros casos que não me recordo agora. Após a manifestação dos estudantes, diversas pessoas ingressaram no processo e entre os dias 10 e 16 de novembro, a cidade virou um caos. Era notícias de morte, presos, machucados, mutilados. Perto de casa, era possível ver as lojas depredadas, bondinhos destruídos. Até a pracinha que eu brincava com meus dois melhores amigos Juliano e Toninho, ficou desabitada nesse período e os brinquedos todos quebrados. O seu José da