Arte construtivista
Depoimento por ocasião dos
Arte construtiva no Brasil
40 anos da Exposição
Nacional de Arte Concreta
O Construtivismo brasileiro tem suas raízes na década de 1950. De fato, em 1949 se situam as primeiras atividades de artistas como Waldemar Cordeiro (pesquisas com linhas horizontais e verticais: criação do Art
Club de São Paulo, dedicado ao experimentalismo) bem como os experimentos iniciais de Abraham Palatnick com a luz e a cor; de Mary Vieira com volumes; de Geraldo de
Barros com “fotoformas”. Como precursoras dessa tendência se poderiam citar, nos anos
20, as estruturas neocubistas de Tarsila do
Amaral (1886-1973), animadas por um
“colorismo” voluntariamente ingênuo, “caipira”. Tarsila fora discípula, em Paris, de
Lhote, Gleizes e Léger e, de volta ao Brasil, lançara a “pintura pau-brasil”, da qual, posteriormente, se desenvolveu a “pintura antropofágica”. Casada com o poeta e romancista experimental Oswald de Andrade (18901954), a mais dinâmica figura do Modernismo de 22, com ele se empenhou nos homônimos movimentos de vanguarda anunciados por memoráveis manifestos oswaldianos.
Outro pioneiro foi Vicente do Rego Monteiro
(1899-1970), ativo em Paris e no Brasil, inR E V I S T A U S P , S Ã O P A U L O ( 30 ) : 2 5 1 - 2 6 1 , J U N H O / A G O S T O 1 9 9 6
Waldemar
Cordeiro, O B eijo ,
1967
251
Max Bill, ‘ Unidade
Tripartida’ , 1948/49
252
fluenciado, em suas figurações geométricas, tanto pela tendência art déco quanto por um cubismo estilizado e “tropicalizado”
(“primitivista”).
Em 1950, Max Bill apresenta uma exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (fundado em 1947) e, em 1951, recebe o Prêmio Internacional de Escultura com a “Unidade Tripartita”, na I Bienal de
São Paulo. Nesse mesmo ano, Mary Vieira e
Almir Mavignier deixam o Brasil: a primeira para estudar com Max Bill e radicar-se na
Suíça (Basiléia); o segundo, para matricularse na Escola Superior da Forma