Arquitectura Gótica Religiosa
A arquitectura gótica surge associada a um momento da história em que a ordem religiosa pretende imprimir o seu poder na construção das suas igrejas, catedrais e abadias, buscando assim uma grande dimensionalidade nas suas estruturas.
Como já foi dito acima, a arquitectura gótica corresponde a uma evolução da arquitectura românica, no qual são feitas adaptações para garantir a dimensão pretendida. Assim, ao contrário do método construtivo românico, no qual a sustentação do edificado é garantida pela robustez das paredes, no gótico, devido ao uso de pilares e colunas (no interior), e arcobotantes e contrafortes (no exterior), é possível tornarem-se as paredes cada vez mais finas, e até mesmo dissolvê-las, dando lugar aos clerestórios e a rosáceas.
Assim, podemos dizer que a arquitectura gótica segue, em fachadas, a verticalidade e leveza, e no interior, um ambiente iluminado. A nível da planta arquitectónica, nas catedrais góticas, estas não divergem muito das plantas de catedrais de correntes anteriores: a sua forma assemelha-se à de uma cruz latina, onde na vertical encontramos o nártex (11), a nave central (9) e as laterais (10), o coro (4), capela-mor ou ábside (3), o deambulatório (2), as capelas radiantes ou absidíolos (1) e na horizontal o transepto (7) e o cruzeiro (6).
No entanto, podem apresentar uma organização do espaço diferente. A catedral gótica encontra-se, de certa forma, compartimentada, colocando cada indivíduo na sua posição relativa: criam-se obstáculos visuais, de modo a separar o clero do resto dos fiéis; são ainda criados mais altares e capelas, de modo a diversificar as cerimónias; a circulação nas naves laterais deve ser feita facilmente, sem estorvo, de modo a não interromper as celebrações centrais. Para tal, a planta da catedral gótica surge como uma ampliação das anteriores, onde os coros se tornam maiores, as naves laterais podem passar de três, a cinco, as charolas podem duplicar de tamanho,