Análise filme A missão
UNIDADE ACADÊMICA DE SERRA TALHADA - UAST
LICENCIATURA EM QUÍMICA
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
PROF. ANTONIO APOLINÁRIO
Ernestina Maria de Lima
ANÁLISE CRÍTICA
A Missão, 1986. Direção: Roland Joffé
A Missão de antemão presenteia aos olhos dos espectadores uma fantástica cachoeira e demais exuberâncias da divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai. É nesse cenário de belezas naturais encantadoras que o contexto histórico de 1750 é oferecido com boa qualidade e poder reflexivo, e não seria diferente pela ilustre direção de Roland Joffé e um elenco de muita competência profissional. O telespectador é imergido na história, com o plano de fundo da chegada de espanhóis e portugueses ao território indígena, onde os jesuítas já se encontram em projetos de missões, em clima harmonioso e comunitário. O filme expõe muito bem o poder decisivo e a forma como os interesses políticos e econômicos da época se articularam para tirar as missões de seu caminho, destacando o alto teor de violência utilizado. As cenas chocam um pouco, pois a fé imposta a esse povo e o domina, internalizando-se com tal grau de idealização que eles não guerrilharam, - isso também por causa da desigualdade de armamentos, como fortes adversários. Os indígenas eram vistos como animais, que serviam apenas para escravidão (indigna-se bastante quando isso é expresso). A personagem de Jeremy Irons, padre Gabriel, com muita categoria apresentou o papel de um missionário jesuíta que vai tentar contato com uma tribo de índios guaranis, e o modo como essa personagem se articula na ficção faz toda a diferença no desenrolar da história, destacando-se a sua posição frente às questões polêmicas apresentadas no filme (catequizar para educar e “humanizar” os índios, ou servir apenas ao estado para saciar interesses?). Faz-se necessário ressaltar que o século XV e o início do XVI é o período em que a Europa começa a se questionar