Análise do filme "Zelig"
Zelig é um filme de ficção em forma de documentário idealizado, dirigido e protagonizado por Woody Allen. Leonard Zelig, personagem que dá nome ao filme, possui uma patologia que o permite transformar-se, tanto no que diz respeito a sua personalidade quanto a sua fisionomia, nas pessoas com quem se relaciona. Tal condição leva a sociedade a considerá-lo um homem camaleão.
A medida que Zelig se transforma na personalidade de outros, esquece a sua própria. Zelig se esquece de quem ele é, do que gosta ou deseja. Na tentativa de agradar aos outros, foge de si mesmo. Perde o que o torno individual, na tentativa de tornar-se parte de uma sociedade de massa, padronizada.
Atendido pela psicanalista Eudora Fletcher, que se interessa pelo caso, Zelig começa a se lembrar, aos poucos, de quem é e de como chegou a esta condição. Lembra-se de uma infância triste, em que não tinha nos pais figuras de amor e proteção. Para conseguir se integrar a vida social, sentir-se seguro e pertencente a sociedade, Zelig passa a se mimetizar, tornando-se igual ao outro mais próximo. Nas sessões com a doutora Fletcher, Zelig vai descobrindo que não é quem pensa ser, e que sua patologia é um mecanismo de defesa para que se sinta seguro e não se sinta excluído pelo outro.
O filme nos faz refletir sobre o quanto é fundamental para o ser humano ser aceito e amado pelo outro. Além disso, traça uma crítica a respeito da nossa sociedade atual, que massifica os indivíduos e exclui os que são diferentes. Se adaptar a esta sociedade de massas, padronizada e excludente é algo que exige muito esforço por parte do indivíduo.
Roudinesco e Plon, em sua obra Dicionário de Psicanálise (1998), definem o termo identificação como “Termo empregado em psicanálise para designar o processo central pelo qual o sujeito se constitui e se transforma, assimilando ou se apropriando, em momentos chaves de sua evolução, dos aspectos, atributos ou traços dos seres humanos que o cercam”