Análise de Nas Águas do Tempo
O conto "Nas águas do tempo", de Mia Couto, gira em torno das personagens do avô e do neto, tendo a figura da mãe num breve momento. Não há a nomeação das personagens pelo autor, essa representação simboliza de uma forma geral, todos os avôs (figura do velho), as mães e os netos (geração) que fazem parte da cultura africana. A estória inicia com o passeio do avô e o neto pelo rio em um pequeno concho (canoa), durante esse passeio o avô orienta o neto sobre as tradições, o curso da água e a margem. O objetivo era instruí-lo, orientá-lo sobre o ciclo que envolvia o mundo visível e o mundo metafísico. No decorrer da narrativa, há mais duas idas ao rio e podemos perceber que apesar do menino (personagem) aparentar ser uma criança, ele mantém uma resistência ao sobrenatural. O avô que apesar de ser bem mais velho, ainda crê no maravilhoso, no que os olhos vêem quando se abrem para dentro para ver os sonhos. Apesar de toda a experiência e sabedoria que o seu avô lhe inspirava, o neto não conseguia enxergar e até teve que mentir, dizendo que compreendia a relação dos panos, dos outros que acenavam na outra margem. Na terceira e última ida ao lago, o menino passou a acreditar diante da atitude do avô, em ir até a direção da outra margem e depois ver o aceno do pano vermelho do avô ao lado da aparição. O belíssimo conto termina a partir da figura do neto como um homem, orientando o seu filho com as mesmas estórias. O final do conto é muito importante, porque o representa de uma forma geral. Nele percebemos implicitamente a relação do círculo da vida na cosmogonia africana, em que há relações intermitentes e a união de tudo o que representa a força vital.
O conto se passa no período pós - independência, o autor não faz referência a nenhuma cidade específica. O autor menciona um rio, um lago, sem nomeá-lo, provavelmente deve ser um local ficcional. A principal metáfora se refere à água e ao tempo: "Enquanto remava um demorado regresso,