Análise axiológica na relação de bem e mal em Laranja Mecânica
(Obra literária e cinematográfica)
“Se o homem só pode fazer o bem ou só fazer o mal, então ele é uma Laranja mecânica, ele tem a aparência daquela fruta apetitosa com sua cor e suco mas na verdade não passa de um brinquedo mecânico posto em funcionamento ou por Deus ou pelo Diabo ou (já que ambos estão cada vez mais substituíveis) pelo Estado Todo Poderoso. É absolutamente desumano ser totalmente bom ou ser totalmente mau. O que realmente importa é a escolha moral. O mal tem de existir com o bem para que a escolha moral possa ser feita.” — Anthony Burgess
Epígrafe extraída do romance de Anthony Burgess, Clockowrk Orange (originalmente publicado em 1962; no Brasil, com o título de Laranja Mecânica, foi republicado em 2012 pela editora Aleph). Por conseguinte, vou procurar fazer uma relação entre literatura e cinema, provocando os pontos que acredito ter “falhado” o excepcional Kubrick.
O filme dividiu opiniões: no que alguns viram uma revolução cinematográfica outros viram uma apologia à violência pura e simples. Stanley Kubrick filmou a história até o penúltimo capítulo, apesar de que já tivesse sido lançada na Inglaterra a edição completa com 21. No 21º, Alex, a personagem principal, passa por uma mudança. Não digo que tenha se livrado da maldade, do instinto de destruição, mas que perdeu o interesse por isso. O próprio Burgess, no prefácio à edição de 1986, é quem apresenta uma crítica mais lúcida à opção do cineasta, e de sobra define o romance:
O 21º capítulo confere ao romance a qualidade de uma ficção genuína, que é uma arte fundada no princípio de que o homem muda. Não há interesse algum em escrever um romance a não ser que se possa mostrar a possibilidade de uma transformação moral ou crescimento espiritual a operar nas personagens. Mesmo os romances mais superficiais mostram pessoas que mudam. Quando uma obra de ficção não consegue mostrar mudança, quando a personagem é apenas