Angélica Acorrentada
São conhecidas cinco versões de “Rogério libertando Angélica”, pintadas por Jean Auguste Dominique Ingres. A primeira, comissionada por Luís XVIII através do Conde Blacas foi enviada ao Salão dos Artistas Franceses de 1819. É uma tela de 147X190 com e pertence às coleções do Louvre. Nela o herói encontra-se em cima à esquerda, montado no hipogrifo, golpeando com uma longa lança, que percorres quase todo o quadro em diagonal, a cabeça do monstro, que está no extremo oposto, embaixo à direita. Entre os dois Angélica, acorrentada a um rochedo localizado na parte central da composição. À direita, podemos divisar ao fundo, um pequeno lampião preso no alto de outro rochedo, e mais ao fundo, o mar iluminado pelo luar. Embaixo, sobre os pés de Angélica, o mar revolto e espumante.
Existe a intenção por aparte do pintor de concentrar a cena nos três personagens, destacando-os, por meio da luminosidade e do tratamento minucioso, sobre o fundo marrom escuro, pouco definido. No entanto, o resultado obtido é um tanto diverso; como apontou Robert Rosenblum: “os protagonistas passam surpreendentemente, de um cavaleiro com armadura reluzente para uma donzela nua, de um monstro abominável das profundezas para um nobre, mas igualmente fabuloso animal.” O extreme rigor no tratamento que o pintor dá a cada personagem, não encontra correspondência na composição do conjunto, fazendo com que ele pareça ser mais o resultado de uma justaposição de elementos do que uma busca de unidade ou harmonia formal.
Ingres tinha verdadeira obsessão pela perfeição nos detalhes e muitas vezes, seus esboços possuem o acabamento de quadros terminados. Eugène Delacroix anotou o seguinte comentário em seu diário, em 22 de março de 1855: “O senhor Jeanmot, que vem me ver esta manhã, me diz á propósito de bons esboços, que Ingres diz: ‘Não se acaba em cima doa acabado’”. Isto pode ser facilmente comprovado quando observamos um dos estudos preparatórios