america
Através de uma nova abordagem, Restall busca instigar reflexões e questionamentos em relação às verdades pré-estabelecidas, que foram passadas de maneira única e final, a respeito da ocupação espanhola na América. O autor procura desmistificar essas explicações fazendo a desconstrução das mesmas. Sua análise é feita a partir de documentos compostos por relatos de espanhóis, nativos e africanos, cartas de religiosos, biografias, relato de pensadores do século XVIII, abordagens historiográficas contemporâneas, filmes e pinturas, enfim, uma gama de fontes históricas que trataram do processo da conquista.
Por meio de uma análise detalhada e bem argumentada, o autor estabelece um diálogo entre os diferentes tipos de explicações sobre a conquista formuladas ao longo dos séculos XVI ao XX, comparando os escritos gerados no decorrer do processo de dominação com aqueles formulados em produções historiográficas mais recentes. Sugere algumas outras interpretações, possibilitando que essa discussão proporcione outras conclusões, não definitivas, como diz, sobre esse tema tão debatido.
O ponto de partida na busca da desconstrução do mito sobre a conquista é a idéia de que umpunhado de aventureiros, poucos e excepcionais homens como a historiografia afirmam, conseguiu derrotar os indígenas da América. Na conquista espanhola, o autor menciona líderes famosos dessa empreitada como Colombo, Cortés, Pizarro e Bernal e Diaz, entre outros. A necessidade de permissão real e de um contrato estabelecido entre a Coroa e o conquistador para a exploração do Novo Mundo estimulou a escrita de cartas, espécie de prestação de contas denominadas Pro banzas, nas quais esses homens superestimavam suas ações como as melhores, com a esperança de ganharem títulos e cargos. A aceitação desses relatos enviados à Coroa acabou gerando um verdadeiro mito, pois não representavam a realidade dos fatos, mas que