ALGUMA POESIA LITERATURA BRASILEIRA
Carlos Drummond de Andrade
A obra de Carlos Drummond de Andrade, como um todo, exprime duas linhas de força: o nacionalismo e o universalismo.
No livro, Alguma Poesia, já se nota o choque entre a ironia e a confissão, o autor utiliza os coloquialismos apregoados pela estilística, cultiva a poesia do cotidiano, repudiando as tendências parnasiano-simbolistas que dominaram a poesia até então.
A intimidade sofre o corte abrupto da ironia e a confissão é interrompida pela ironia. Assim, Drummond utiliza seus versos como um desabafo, procurando disfarçar no humor os sentimentos que o amarguram, isso ocorre ao longo de toda a sua obra.
Pode-se utilizar como exemplo dessa afirmação o poema "Canção do Berço" onde o poeta transmite, com ironia e amargura, seu pensamento de que o futuro já está marcado desde o berço “[...] o amor, a carne, a vida, os beijos ou mesmo o mundo não têm importância num contexto de lucro imediato que a sociedade de consumo impõe”. Ou seja, as relações humanas não possuem significado em uma vida baseada em valores passageiros. O mesmo acontece com o “Poema de Sete Faces” em que adivinha seu destino, escrevendo “Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”.
Mostra-se como característica, presente em vários outros poemas do autor, seu retrato como individuo, de um homem tímido, desajeitado e complicado.
O amor também é tema presente no livro Alguma poesia e em muitos outros poemas do autor em tela, o poeta brinca com o jogo de palavras, dando ênfase à desindividualização do sentimento e de suas relações amorosas não correspondidas, ele trata o amor com humor e com amargura.